Guia de oratória para pastores e pregadores

De acordo com o dicionário, oratória é “a arte do bem dizer, a arte da eloquência”. Estas qualidades são, evidentemente, muito importantes para pastores e pregadores, os quais têm no seu cotidiano o contato direto com o público.

Saber impostar a voz corretamente, perder o medo de falar perante a audiência e saber improvisar são características que devem ser desenvolvidas. Esses são alguns dos atributos os quais ensinaremos a desenvolver no decorrer do texto.

Perdendo o medo de falar em público

Principalmente nos mais novos, são comuns alguns sinais de nervosismo na hora de começar a pregar o evangelho. Ficar com a boca seca e a sensação de embrulho no estômago são apenas dois entre os vários possíveis.

Esses sinais de ansiedade são normalmente associados à insegurança ou ao temor de estar sendo avaliado pelos seus fiéis. Se não for tratado corretamente, pode ficar cada vez pior, levando a problemas mais extremos em que a pessoa se sente incapaz de lidar com o público.

Para lidar com esse problema, portanto, há uma solução bastante evidente. Ela diz respeito ao desenvolvimento da autoconfiança no pastor ou pregador. O mais importante, aliás, ele já tem, afinal sabemos que conhecimento não é o que falta.

Existem algumas técnicas específicas para isso. Treinando-as, com o tempo, a melhora é nítida e o indivíduo passa a ter um controle emocional mais forte. Essas técnicas foram desenvolvidas por profissionais da psicologia, que trabalham com pessoas com medo de falar em público em seu cotidiano.

  • Saiba sobre o que está falando: um dos pontos que mais é capaz de trazer autoconfiança é dominar o tema.
  • Trace um mapa mental: é importante ter em mente um ou dois objetivos do que você quer dizer. Pense na melhor forma de expô-los e, se for necessário improvisar, lembre-se deles.
  • Procure um feedback: alguém que possa avaliar a sua oratória, com críticas construtivas, pode ser interessante. Às vezes cometemos vícios de linguagem ou comportamento que podem atrapalhar o entendimento da mensagem.
  • Adapte-se ao público: tente trazer a sua linguagem para próximo do que aquele público está habituado. São mais jovens, mais velhos, de que local? Pense nisso.
  • Mantenha a calma: se estiver começando a sentir algum dos sintomas, passe a falar mais calmamente, concentrando-se numa respiração leve.

Como impostar a voz

Todas ou a maior parte das ideias da sua pregação serão colocadas ao público por meio da fala, certo? Por isso ter uma boa impostação da voz é importante. Ela consiste no modo de aproveitamento da melhor ressonância corporal para projetar sons.

Na prática, isso significa que quem sabe como impostar bem a voz consegue ser ouvido por toda a audiência mesmo sem o auxílio de um microfone, por exemplo. Além disso, entende-se que essa técnica traz mais confiança e credibilidade para o orador.

Assim como no caso da perda do medo de falar em público, existem algumas técnicas específicas para saber impostar a voz. Exercícios, como os expostos abaixo, são igualmente importantes, especialmente para ajudar na respiração nasal.

  1. A respiração diafragmática

Para fazer esse exercício, fique deitado com os pés afastados. Uma de suas mãos deve ir acima do peito, enquanto a outra fica abaixo das costelas. Concentre-se na inspiração e na expiração, focando na elevação da mão que está abaixo das costelas, que deve elevar-se mais que a outra.

  • Treinando a pronúncia das silabas

No dia a dia, especialmente quando falamos com muita rapidez, é normal que acabemos “comendo” algumas sílabas. Dessa forma, a oratória fica longe de ser perfeita, com ruídos na comunicação e prejudicando o entendimento do público.

Além disso, é comum a percepção no público de que o interlocutor não está seguro do que diz quando há esse tipo de erro. Por isso, articular as sílabas com precisão traz credibilidade e melhora a atenção da plateia. No exercício, faça cinco vezes cada som:

  • MUA – MUÉ – MUE – MUI – MUÓ – MUO – MUU;
  • AS – ES – ÊS – IS – OS – ÔS – US (tente sempre reduzir o chiado);
  • PRA – TRA – CA – CHA – NHA – LHA – GUA – QUA.

Desenvolvendo a habilidade de falar de improviso

Existem situações na vida de um pastor ou pregador em que há que pregar um sermão inesperado. Por certo, é comum que alguma vez surja um convite para proferir algumas palavras em situações diversas.

Aliás, entre os mais experientes, muitos estão habituados a ter consigo um pacote de sermões. Isso é, de fato, uma boa ideia, pois não irá pegá-lo tão de surpresa assim, e sempre haverá algo para falar e um ponto para se guiar.

No entanto, nem sempre isso é possível. Mesmo quando há um sermão que você tenha um bom domínio, aliás, é provável que em algum momento tenha de haver algum tipo de improviso. Essas situações são corriqueiras, e para elas precisamos estar preparados.

De fato, ter de falar de improviso é um perigo em potencial à sua autoconfiança e pode trazer nervosismo. Nesse momento, é sempre importante ter em mente o principal: conhecimento sobre o assunto você tem.

Esse é o fundamental. Então, entre os sermões que mais domina e que prefere, escolha um. Coloque em mente um objetivo que queira passar com aquilo, e sempre fique com esse pensamento para não perder o fio da meada.

Não se esqueça também da sua linguagem corporal. É importante passar confiança não só pelas palavras, como também pela postura. Mantenha-se ereto, com contato visual e controle a sua voz com as dicas das seções anteriores.

Algo que ajuda sempre é contar uma boa história – a chamada técnica de storytelling, em inglês. Aproveite e faça uso disso, assim é mais fácil conquistar os ouvintes e manter-se conectado ao ponto central da sua fala.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *